Relatório do BTG prevê que o risco fiscal pode elevar o dólar para R$ 7,10 até o final deste ano e R$ 7,30 até o final de 2026

Ministro Fernando Haddad | Imagem por Paulo Pinto/Agência Brasil

BRASÍLIA, 13 de janeiro — O último relatório divulgado pelo BTG Pactual, o maior banco de investimentos da América Latina, assinado pela economista Iana Ferrão, projeta que o dólar poderá encerrar 2025 cotado a R$ 6,25 em um cenário base com manutenção da situação atual, a R$ 5,20 caso o governo implemente medidas que sinalizem responsabilidade fiscal — uma atitude pouco comum em anos que antecedem eleições presidenciais — ou a R$ 7,10 em um “cenário adverso”, caso continuem sendo adotadas políticas que “minem a credibilidade da política monetária” ou envolvam “intervenções no mercado cambial”.

Ainda segundo o relatório, que também utilizou um modelo comparativo envolvendo moedas de outros países emergentes e exportadores de commodities, aproximadamente R$ 0,90 do valor atual do dólar está relacionado a questões internas do Brasil.

“Ações que contornem o Orçamento, intensifiquem mecanismos parafiscais, minem a credibilidade da política monetária ou envolvam intervenções no mercado cambial tendem a pressionar ainda mais o câmbio, podendo levá-lo a ultrapassar a barreira de 7,00 reais por dólar […] Esse resultado reflete, sobretudo, o aumento das preocupações do mercado quanto à sustentabilidade da dívida pública no longo prazo e à condução da política econômica nos próximos trimestres […] A implementação de medidas que sinalizem claramente o compromisso do governo com a sustentabilidade do arcabouço fiscal e a estabilização da trajetória da dívida pública teria o potencial de reduzir o prêmio de risco do Brasil, promovendo uma apreciação do câmbio” -Relatório do BTG

Em relação à balança comercial, o BTG projeta um superávit de US$ 87 milhões em 2025, impulsionado pelo aumento da produção agrícola, pela forte desaceleração da demanda doméstica, pela expansão da extração de petróleo e por um “efeito defasado” da desvalorização cambial superior a 25%. O relatório, contudo, alerta que o superávit pode não refletir um fluxo cambial positivo (saída de investidores), como ocorreu no Brasil no final de 2024.

“Em dezembro de 2024, por exemplo, observou-se o maior volume histórico de saída de dólares pelo segmento financeiro do País, o que mais do que compensou o ingresso recorde de recursos no fluxo comercial ao longo do ano. Como consequência dessa saída recorde em dezembro, o fluxo cambial líquido acumulado em 2024, que até novembro era positivo em quase US$ 10 bilhões, inverteu o sinal e encerrou o ano em US$ 18 bilhões negativos” -Relatório do BTG

No relatório passado que projetava um cenário final para 2024, também assinado pela economista Iana Ferrão, o BTG estimava, em condições normais, que o dólar terminasse o ano valendo R$ 4,60 – a moeda americana fechou o último pregão do ano valendo R$ 6,179.


(Matéria em atualização)

Últimas Notícias

Mais lidas da semana

- PUBLICIDADE -spot_img

Matérias Relacionadas

O Apolo nas redes sociais

O Apolo Brasil no Instagram

O Apolo Brasil no Telegram

O Apolo Brasil no X

O Apolo Brasil no TikTok

O Apolo Brasil no Facebook

O Apolo Brasil no Threads

- NOVIDADE -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Leia mais

De acordo com dados da Operação Acolhida, entrada de venezuelanos pela fronteira de Pacaraima aumenta em 64,3% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2022

PACARAIMA, 13 de junho — De acordo com os últimos dados da Operação Acolhida (compilados pela Organização Internacional para as Migrações), parte do Ministério da Casa Civil, apenas pela fronteira de Roraima, entre os meses de janeiro e março deste ano, entraram no Brasil...