Brasil registra o menor número de nascimentos em 45 anos e cresce a proporção de mulheres que dão à luz após os 30 anos

Imagem ilustrativa por smilla4 (CC 2.0)

BRASÍLIA, 16 de maio — De acordo com dados do Registro Civil divulgados nesta sexta-feira (16) pelo IBGE, o Brasil registrou, em 2023, o menor número de nascimentos desde 1976, no quinto ano seguido de queda, em um movimento que foi observado em todas as regiões do país, com exceção do Centro-Oeste, que teve aumento de 1,1%.

Os dados mostram que, em 2023 (últimos números disponíveis), o Brasil registrou o nascimento de 2.523.267 bebês vivos, quantidade superior somente à de 1976 (2.468.667 nascimentos), apenas dois anos após o início da série histórica — período em que o governo reconhece a existência de alto índice de subnotificação, conferindo ainda mais relevância aos números consolidados do último balanço.

Apesar de apresentar números elevados em termos absolutos, a região Sudeste registrou a maior redução no número de nascimentos, com queda de 1,4% em relação a 2022 (ano anterior).

Os estados que registraram as maiores quedas foram, em ordem, Rondônia (-3,7%), Amapá (-2,7%), Rio de Janeiro (-2,2%), Bahia (-1,8%), São Paulo (-1,7%), Santa Catarina (-1,6%), Distrito Federal (-1,5%), Rio Grande do Norte (-1,3%) e Amazonas (-1,2%).

Ao todo, 18 estados registraram queda no número de nascimentos no último balanço.

Do outro lado, os estados que registraram os maiores aumentos no número de nascimentos foram Tocantins (+3,4%), Goiás (+2,4%), Roraima (+1,9%), Sergipe (+1,7%), Alagoas (+1,6%), Acre (+1,4%), Mato Grosso (+1,2%) e Espírito Santo (+1%).

O mesmo levantamento indica que as mães brasileiras estão tendo filhos em idades cada vez mais avançadas.

Segundo os Registros Civis, a proporção de mães com mais de 30 anos no momento do parto aumentou de 23,9% em 2003 para 39% em 2023, enquanto a de mães que tiveram filhos após os 40 anos dobrou, passando de 2,1% para 4,3%.

Outro dado que chama a atenção é a queda na proporção de mães adolescentes que deram à luz até os 18 anos, passando de 20,9% em 2003 para 11,8% em 2023.

Na região Norte, 18,7% das mães tinham até 18 anos no momento do parto, com destaque para o Acre (21,4%) e o Amazonas (20,5%).

No polo oposto dos dados, o Distrito Federal lidera com 49,4% de mães acima de 30 anos no momento do parto, seguido por São Paulo e Rio Grande do Sul, ambos com 44,3%.

Os meses com maior número de nascimentos no Brasil em 2023 foram março, com 233.432 bebês vivos registrados, e maio, com 230.394, ambos correspondendo a bebês concebidos, segundo o cálculo habitual, durante o inverno anterior. O menor número de nascimentos ocorreu em novembro (188.411), mês que historicamente registrava aumento nas gestações devido ao período de festas no início do ano (carnaval, por exemplo).

De acordo com a última projeção oficial do IBGE, a população brasileira começará a diminuir a partir de 2042, após atingir o pico de 220,43 milhões de habitantes em 2041.

A diminuição acontecerá mesmo com o aumento da expectativa de vida do brasileiro para 83,9 anos (81,7 anos para homens e 86,1 anos para mulheres) e da redução da taxa de mortalidade infantil para 5,8 óbitos por 1.000 nascidos vivos (em comparação com 28,1 óbitos no ano 2000) até 2070.

No ritmo atual de nascimentos, estima-se que o Brasil registre apenas 1.488.161 nascimentos em 2070.

Os números, que indicam um envelhecimento da população e a queda contínua no número de nascimentos, refletem o cenário internacional enfrentado por diversos países, que encontram dificuldades para reverter essa tendência, gerando grandes desafios e impactos sociais, econômicos e previdenciários.

O Japão, que enfrenta uma situação similar mas em níveis alarmantes, passou a perder, em 2024, cerca de 100 cidadãos por hora, considerando a diferença entre o número de nascimentos e mortes.

Grandes empresas no Japão estão mudando seus mercados para produzir mais fraldas geriátricas do que fraldas infantis.

A última projeção do IBGE assusta porque antecipa em 6 anos o início da perda populacional em relação à projeção de 2020, que se baseava nos mesmos cálculos.

A taxa de fecundidade da mulher brasileira, em 2023, foi de 1,57 filho por mulher. A taxa adequada para a reposição de população é de 2,1 filhos por mulher.

No ano 2000, a taxa de fecundidade da mulher brasileira era de 2,32 filhos por mulher.

A última projeção indica que, no ritmo atual, a mulher brasileira terá 1,44 filho por mulher, com um pequeno aumento até 2070, quando esse número deverá chegar a 1,5.

Em 1960, a mulher brasileira tinha, em média, 6,28 filhos.

Entre os países com as piores taxas de fecundidade no planeta atualmente estão a Itália, a Jamaica, o Japão, a Espanha e a Ucrânia, todos com 1,3 filho por mulher; a China, com 1,2 filho por mulher; Singapura, com 1,1 filho por mulher; a Coreia do Sul, com 0,88 filho por mulher; e Hong Kong, com 0,85 filho por mulher.

Os países com as maiores taxas de fecundidade são Niger, com 6,6 filhos por mulher; Chad, República Democrática do Congo e Somália, cada um com 6,0 filhos por mulher; República Centro-Africana e Mali, com 5,7 filhos por mulher; Angola e Nigéria, com 5,0 filhos por mulher; Burundi, com 4,8 filhos por mulher; e Benin, com 4,7 filhos por mulher.

Na América do Sul, a Guiana Francesa lidera com uma taxa de fecundidade de 3,4 filhos por mulher, seguida pela Bolívia, com 3,1 filhos por mulher; Paraguai, com 2,4 filhos por mulher; Guiana e Suriname, ambos com 2,3 filhos por mulher; Peru e Venezuela, com 2,1 filhos por mulher; Equador, com 2,0 filhos por mulher; Colômbia, com 1,7 filhos por mulher; Argentina, com 1,9 filhos por mulher; e Chile e Uruguai, ambos com 1,5 filhos por mulher.


(Matéria em atualização)

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