
RIYADH, 24 de janeiro — Em um novo -pequeno- movimento voltado a se mostrar como um país mais aberto, após uma proibição que começou em 1952 e que pode gerar penas de multa, prisão, chicotadas públicas (proibidas em 2020) e deportação, a Arábia Saudita, sob o comando do príncipe coroado Mohammed bin Salman, anunciou hoje que abrirá sua primeira loja de álcool do país, que ficará em um bairro diplomático; o movimento faz parte do projeto de desenvolvimento chamado de Vision 2030 que promete diversificar a economia saudita e deixar o país mais próximo do resto do mundo (“agenda de reforma social”).
De acordo com oficiais do país, os clientes serão apenas diplomatas estrangeiros não-muçulmanos, que deverão ser registrados previamente pelo governo e que deverão utilizar um aplicativo de celular para gastar seus 240 pontos mensais (cada bebida custará, além do dinheiro, pontos pré-estabelecidos) em bebidas alcoólicas.
Os locais não poderão ser visitados e/ou fotografados. Aparelhos celulares serão estritamente proibidos no local.
Todas as punições determinadas na lei local continuarão a ser aplicadas contra moradores locais que forem pegos com vinhos, cervejas, e outras bebidas alcoólicas em geral (beber álcool é proibido em vários países islâmicos).
Oficiais do país (que inclusive já visitaram o local) confirmaram à jornalistas que a loja será inaugurada nas próximas semanas e que sua abertura dará ao governo a oportunidade de combater o tráfico local de bebidas que é abastecido majoritariamente pelo “transporte por diplomatas”, que utilizam suas credenciais para abastecer um mercado negro.
(Em atualização)