
BRASÍLIA, 16 de agosto — A Folha de S. Paulo divulgou há pouco mais uma questão polêmica que foi encontrada nos 6 gigabytes de mensagens e áudios de conversas de WhatsApp trocadas entre auxiliares do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A divulgação de hoje mostra uma conversa entre Eduardo Tagliaferro, um perito criminal que na época chefiava a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (poder de polícia), e o segurança pessoal do ministro Alexandre de Moraes, o policial militar Wellington Macedo (identificado na agenda de Eduardo como Capitão PM Macedo), que é lotado no STF e já havia sido citado em divulgações anteriores.
Ambos, incluindo o ministro, participavam do grupo de WhatsApp chamado “INQUÉRITOS”.


Na nova conversa, ocorrida após as eleições, em 24 de fevereiro de 2023, o segurança do ministro enviou o nome de uma pessoa que estava trabalhando na reforma do apartamento de Alexandre de Moraes para que Tagliaferro, do TSE, levantasse a ficha criminal dela.
Aproximadamente uma hora e meia após a troca de mensagens, Tagliaferro enviou ao segurança do ministro dois relatórios intitulados “Consulta – Polícia Judiciária SP” e “Registro Civil”, cópias de boletins de ocorrência no nome da pessoa, informações sobre um processo e o cumprimento de uma pena pelo prestador de serviço.
Wellington –“Apenas se tem ou não passagem pela polícia”
Tagliaferro –“Boa tarde. De qual estado ele é? SP?”
Wellington –“Ele é uma das pessoas que fará reforma no apt do Min”
Tagliaferro – [envio de arquivos]
Wellington –“Excelente. Agora sim. Vou passar ao chefe”
Em nota oficial, o gabinete do ministro Moraes apenas disse que “todos os procedimentos foram oficiais, regulares e estão devidamente documentados nos inquéritos e investigações em curso no STF, com integral participação da Procuradoria-Geral da República”.
Tagliaferro, que já não faz mais parte do TSE desde maio do ano passado, após ter sido preso sob suspeita de violência doméstica contra sua esposa em Caieiras, São Paulo, disse que não se manifestará, e que apenas “cumpria todas as ordens que me eram dadas e não me recordo de ter cometido qualquer ilegalidade”.
(Matéria em atualização)