
MANÁGUA, 7 de agosto — A ditadura nicaraguense decidiu por expulsar oficialmente o embaixador brasileiro no país, Breno de Souza Brasil Dias da Costa, por conta do Brasil não ter enviado um representante à celebração local pelos 45 anos da “Revolução Sandinista”, que aconteceu no último dia 19 de julho.
A representação oficial brasileira, na figura de Breno da Costa, recebeu um prazo de 15 dias para deixar o país (o aviso teria sido passado ao Itamaraty há duas semanas)
A Nicarágua é controlada há 17 anos pelo ex-guerrilheiro Daniel Ortega, que tem um longo histórico de inúmeras acusações por corrupção, nepotismo, prisões políticas, manipulação eleitoral, perseguições, restrições à liberdade de imprensa, controle total dos meios de comunicação, perseguições a entidades religiosas e padres católicos, prisão de (todos) opositores políticos e repressão violenta de protestos.
Antes da expulsão do embaixador brasileiro, a relação dos países já estava oficialmente congelada.
No fim do prazo para que a representação brasileira deixe o país, sob o argumento do Brasil de que haverá consequências pesadas, o Itamaraty ainda espera uma reversão da medida.
Apesar do atual distanciamento de Lula, seu partido PT chegou a divulgar e apagar, depois de muitas críticas, uma nota (assim como fez com a eleição de Maduro) celebrando a última “eleição” fraudulenta que reconduziu o ditador Ortega ao seu cargo de presidente com 75% dos votos … e 7 candidatos opositores presos.
“Os resultados preliminares, que apontam para a reeleição de Daniel Ortega e Rosario Murillo, da FSLN, confirmam o apoio da população a um projeto político que tem como principal objetivo a construção de um país socialmente justo e igualitário. Esperamos seguir com a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) – partido socialista de Ortega – neste caminho de construção de uma América Latina e Caribe livres e soberanos, uma região de paz e democracia social que possa servir de exemplo para todo o mundo” -PT
O mandatário brasileiro também já virou polêmica ao comparar Ortega, em uma entrevista ao jornal El País, com a ex-chanceler alemã Angela Merkel.
“Temos que defender a autodeterminação dos povos. Sabe, eu não posso ficar torcendo. Por que que a Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?” -presidente Lula
O Itamaraty ainda não divulgou uma nota oficial para falar sobre o tema (provavelmente será divulgada em breve).
(Matéria em atualização)