Ex-candidata à Presidência do Equador que recebeu Lula durante o segundo turno das eleições no país é presa acusada de ter recebido dinheiro em espécie da Venezuela para financiar suas campanhas

Imagem ilustrativa por PR/Ricardo Stuckert/@lulaoficial no X

MANABÍ, 22 de outubro — O Governo do Equador confirmou que Luisa González (48), que disputou as eleições presidenciais do país em 2023 (perdeu por 51,83% a 48,17%) e no início do ano passado (perdeu por 55,63% a 44,37%), foi presa nesta madrugada acusada de receber e lavar dinheiro em espécie proveniente do regime venezuelano para financiar suas campanhas eleitorais.

Imagem por Fiscalía General del Estado de Ecuador

Em publicação oficial, o Ministério Público local informou que as acusações contra três pessoas serão apresentadas ainda nesta quinta-feira (22), por “suposta participação no crime de lavagem de dinheiro”, além de “inconsistências nas contribuições e na origem ilícita dos recursos” utilizados na campanha da ex-candidata, que nega todas as acusações e as classifica como “perseguição política”.

Luisa, considerada no Equador um poste político do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), condenado por corrupção e que vive atualmente em Bruxelas, chegou a receber apoio velado de Lula, que se reuniu com a então candidata durante a disputa do segundo turno.

Embora Lula tenha se reunido com Luisa González em Montevidéu, capital do Uruguai, durante a campanha para o segundo turno da eleição presidencial equatoriana, o presidente brasileiro não chegou a pedir explicitamente votos para a candidata em suas redes oficiais. O encontro, realizado quando Luisa não ocupava nenhum cargo público, foi posteriormente descrito como apoio público à candidata em uma publicação da Fundação Alexandre de Gusmão, vinculada ao Itamaraty, e contou com a presença da deputada federal e então presidente do PT Gleisi Hoffmann, que ainda não integrava o governo.

Gleisi tomou posse como ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais em 10 de março de 2025, nove dias após a reunião, e permaneceu no cargo até 3 de abril de 2026, quando deixou o governo para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná, pleito no qual terminou em quarto lugar, com 13,35% dos votos válidos.

Publicação por LulaOficial

Ainda não há muitos detalhes públicos sobre a investigação que justificou a prisão de Luisa, que foi iniciada oficialmente em janeiro deste ano, mas já se sabe que ela também envolve o candidato a vice de Luisa em 2023, Andrés Arauz, e outras seis pessoas, e apura o recebimento de dinheiro que seria proveniente da PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana.

Apenas pelo crime de lavagem de dinheiro, uma das acusações que serão apresentadas hoje, Luisa pode receber uma pena de um a 13 anos de prisão, caso seja condenada, de acordo com a legislação penal equatoriana.

Em suas redes sociais, o ex-presidente Rafael Correa, real líder político por trás da candidatura de Luísa González, criticou a prisão de sua aliada em uma publicação com a legenda: “MISERÁVEIS! Não sobrou mais ninguém decente no sistema de Justiça? Está tudo tão podre assim? #EquadorVencerá”.

Publicação por Rafael Correa

Já na página oficial de Luisa, sua equipe publicou uma longa carta em primeira pessoa na qual considera a acusação absurda, pede união aos “companheiros da Revolução Cidadã” e classifica o governo do atual presidente reeleito Daniel Noboa como uma “ditadura”.

São esperadas manifestações de apoio a Luisa por parte de lideranças de esquerda da América Latina. Na Colômbia, o ex-presidente Gustavo Petro, que até hoje não aceitou o resultado das eleições colombianas (queria — mas não teve — apoio militar para cancelar o pleito) que elegeram o político de direita Abelardo de la Espriella, afirmou que “no Equador, está em curso uma verdadeira ditadura” e que ela começou “com uma fraude eleitoral”, dando a entender que também não reconhece o resultado das eleições equatorianas. Petro também criticou o chamado “Escudo das Américas” (oficialmente Coalizão Anticartéis das Américas), uma iniciativa de cooperação entre países do continente para combater cartéis do narcotráfico, que conta com a participação de 15 países sul-americanos, com exceção de Brasil, México, Cuba, Venezuela e Nicarágua, afirmando que “o chamado escudo não é um escudo contra o narcotráfico, mas contra a democracia”.

Em campanha eleitoral, restando apenas 3 dias para o segundo turno das eleições brasileiras, Lula ainda não comentou (e está sendo recomendado pela ala política a não comentar) sobre a questão.


(Matéria em atualização)

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