Alcolumbre faz as contas e confirma que já tem apoio suficiente para continuar na presidência do Senado e espalha recado de que não pautará impeachment de ministros do STF

Presidente do Senado Davi Alcolumbre | Imagem ilustrativa por Lula Marques/Agência Brasil

BRASÍLIA, 26 de outubro — A ala política de Brasília já recebeu a mensagem clara de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está feliz por contar com o compromisso de pelo menos 48 senadores para ser reeleito ao comando de sua Casa legislativa por mais dois anos, de fevereiro de 2027 a fevereiro de 2029, mesmo diante da expressiva bancada de oposição eleita no último pleito.

Davi, que não declarou publicamente apoio a Lula na eleição presidencial e via nele sua única chance de continuar no comando do Senado, deverá ser o responsável por indicar o ex-senador Rodrigo Pacheco (49), que há pouco assumiu uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU), ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar da convicção durante o primeiro turno da eleição nacional de que a oposição conseguiria construir uma base sólida para pautar sua agenda, Alcolumbre prevê um caminho tranquilo para se reeleger, já que apenas 28 senadores do PL poderão fazer oposição, enquanto o Centrão, como sempre fez, integrará a base do governo. A eleição será realizada por votação secreta entre os 81 membros da Casa.

Vale ressaltar que, conforme noticiado por vários jornais nacionais, diversos políticos de centro eleitos como oposição ao governo, incluindo alguns que estiveram ao lado de Flávio Bolsonaro no discurso de não aceitação do resultado, telefonaram inclusive para Lula e aliados para dizer que estavam apenas fazendo críticas ou que compareceriam ao discurso de Flávio para cumprir tabela, mas que, na verdade, não concordavam com o questionamento do resultado eleitoral (a ala da oposição já sabe quem são esses políticos).

Também circula em Brasília o recado claro de que Alcolumbre não pautará pedidos de impeachment de ministros do Supremo, especialmente contra Alexandre de Moraes, de quem é amigo pessoal. Apesar de a ala ligada a Moraes defender um contra-ataque contra o ministro André Mendonça e de políticos governistas serem favoráveis a um movimento contra Nunes Marques, há a percepção de que não seria inteligente criar um precedente.

Seguindo o cronograma, Lula poderá indicar, até 2030, quatro novos ministros para o Supremo: um para ocupar a vaga já deixada por Luís Roberto Barroso e outros três após as aposentadorias previstas de Luiz Fux (2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).

Hoje, dos 11 cargos de ministro do Supremo, 10 estão ocupados, dos quais 6 são de ministros indicados por presidentes do PT (serão 8 até 2030).

Somando os senadores do PL aos parlamentares de oposição eleitos por partidos do Centrão (sempre parte do governo), a oposição terá cerca de 40 senadores, desconsiderando eventuais dissidências e a já comum traição. Um eventual impeachment de ministro do STF precisaria de, no mínimo, 54 votos favoráveis para ser aprovado.

Na Câmara, já há um acordo fechado entre o Centrão e o governo para manter Hugo Motta, que participou ativamente da campanha de Lula, na presidência da Casa.

Como anunciado ontem, Flávio deverá apresentar hoje uma contestação formal do segundo turno das eleições na Justiça.


(Matéria em atualização)

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