Ao criticar ataques aéreos a barcos no Caribe, presidente colombiano sugere recriar a Gran Colômbia, uma República sob um único governo que reuniria Colômbia, Venezuela, Equador e Panamá

Presidente colombiano Gustavo Petro | Imagem ilustrativa por Fotografía oficial de la Presidencia de Colombia

BOGOTÁ, 13 de novembro — O presidente colombiano Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda eleito na história do país e cujo mandato único termina no próximo ano, voltou a viralizar nas redes após defender, em um discurso crítico ao governo americano pelos ataques a embarcações de transporte de drogas que vêm acontecendo no Mar do Caribe desde setembro, que a Colômbia se una novamente à Venezuela, ao Equador e ao Panamá para recriar a Gran Colombia — nação que existiu entre 1819 e 1831, com capital em Bogotá, e que se desfez em meio a divergências políticas e ao esgotamento econômico que se seguiu à guerra de independência do domínio espanhol.

A declaração de Petro ocorreu durante seu discurso como anfitrião da IV Cúpula CELAC–União Europeia, que contou com a presença do presidente brasileiro Lula.

Em sua fala, Petro classificou os 19 ataques aéreos americanos a barcos de transporte de drogas no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, na costa oeste da América do Sul, como atos de ‘despotismo’, sugerindo que os quatro países que se uniram no século XIX deveriam novamente se unir para lutar pelo que chamou de “liberdade”.

“Nós também gritamos liberdade, digamos que ao mesmo tempo, e nos ajudamos a ser livres. Por isso a América não é um continente de reis nem princesas, nem déspotas. Cada ditador que aqui apareceu teve sua rebelião. Todos os povos sempre lutaram por sua liberdade. Não é a hora então, acaso, de voltar a falar da Grande Colômbia? A resposta que mereceria um ato tão déspota, tão arbitrário, tão grosseiro, não deveria ser a nossa própria união? Por que não organizamos os comitês de constituintes nos três ou quatro países que formamos a Gran Colômbia? […] Por que temos que esperar se um presidente quer ou não? Se o poder constituinte é do povo, não dos governos. Por que não dizer que esse agrupamento pode muito bem reformar as constituições para criar a confederação da Gran Colômbia e sermos poderosos? A saída hoje vem de acordos entre Estados ou já está passando essa época do Estado-nação? Não será que já estamos diante de uma crise das Nações Unidas?” -Gustavo Petro

Vale ressaltar que as Forças Militares da Colômbia continuam sendo as mais alinhadas às Forças Militares americanas na região, enquanto não há qualquer possibilidade de que os governos e parlamentos do Equador e do Panamá sequer considerem essa hipótese.

Por conta disso, Petro sugeriu que o projeto não dependa das decisões dos governos, mas sim da “sociedade civil”, por meio da criação de “comitês constituintes” nos três países, com o objetivo de debater a quase impossível confederação.

A oposição colombiana acusa Petro de sugerir essa manobra para evitar deixar o poder em agosto de 2026, quando seu mandato único se encerrará, provavelmente abrindo espaço, segundo pesquisas locais, para um presidente de centro ou de direita.

Após a polêmica, Armando Benedetti, ministro do Interior da Colômbia e um dos principais aliados políticos de Petro, minimizou a fala e afirmou à mídia internacional que as declarações do mandatário tinham caráter apenas simbólico e foram mal interpretadas.

“Acho que ele apenas quer dizer que deveríamos voltar a ser irmãos, que deveríamos olhar um pouco para dentro de nós mesmos e não entrar em conflito uns com os outros […] Interpreto essa declaração como significando que a Colômbia e os países da América Latina, especialmente da América do Sul, retornarão mais uma vez à fraternidade, a uma região em paz” -Armando Benedetti em entrevista ao Miami Herald


(Matéria em atualização)

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