
BRASÍLIA, 31 de dezembro — Às vésperas do ano eleitoral de 2026, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou, em nota enviada ao portal G1, que realiza pela terceira vez, por determinação do governo Lula, um levantamento para a aquisição de um novo avião presidencial, cujo custo estimado aos cofres públicos, de acordo com as orientações sobre modelo, porte e características, varia de R$ 1,4 bilhão a R$ 2 bilhões.
Seguindo o cronograma de aquisição da aeronave, que provavelmente será um Airbus A330 na versão executiva/VIP, Lula deverá receber o orçamento da compra já no início de 2026.

Atualmente, Lula utiliza a aeronave presidencial Airbus FAB VC-1 A319CJ Santos Dumont, apelidada de “Aerolula” por ter sido adquirida durante seu primeiro mandato por R$ 167 milhões no câmbio da época (em valores corrigidos pelo índice IPCA, R$ 450 milhões), e que ainda está na metade de sua vida útil.
Essa não é a primeira vez que Lula ordena uma pesquisa para a troca de sua aeronave. Em junho de 2023, no sexto mês de seu terceiro mandato, em reunião com a cúpula da Força Aérea Brasileira, Lula pediu pessoalmente que a FAB apresentasse opções para substituir a sua aeronave presidencial por modelos com mais conforto interno e que pudessem realizar voos mais longos sem escala (a aeronave atual tem um alcance de ~8.500km).
A ideia, que havia sido suspensa em agosto de 2023 devido à polêmica sobre o custo financeiro e político de um novo avião para substituir a atual aeronave, ressurgiu após o problema enfrentado em outubro de 2024 pelo presidente e sua comitiva, que precisaram sobrevoar o Aeroporto Felipe Ángeles, no México, por cerca de cinco horas depois de uma falha em uma das turbinas durante a decolagem (pode ter sido causada por uma colisão com um pássaro).
Segundo os dados públicos de voo, após o incidente, o avião presidencial realizou 50 voltas para queimar combustível e reduzir o peso antes de retornar ao aeroporto (procedimento padrão).

Antes do incidente, tanto o presidente quanto a primeira-dama já haviam se queixado do cansaço provocado pelas escalas em viagens longas.
Durante o governo Dilma (em um processo iniciado no governo Lula), o Brasil também tentou adquirir outra aeronave, mas acabou desistindo da ideia devido ao desgaste político e à situação financeira.
Sob o governo Temer, chegou-se a considerar a compra de um Boeing 767-300 que vinha sendo alugado pela Presidência, mas a proposta foi descartada porque o interior da aeronave não atendia aos requisitos de conforto.
De acordo com a Folha, o jornal mais alinhado ao público do presidente no Brasil, em agosto de 2023, Lula teria sinalizado que estaria disposto a enfrentar o desgaste político dessa compra.
Ainda não se sabe como o avião será adquirido, já que a compra terá de disputar espaço com outras prioridades no orçamento da Defesa Nacional.
Corretores especializados em aeronaves de luxo já elaboram o catálogo que será apresentado em breve ao presidente Lula.
Em 2026, o Ministério da Defesa contará com um orçamento de R$ 141 bilhões, dos quais 76% (R$ 107,9 bilhões) serão destinados ao pagamento de pessoal.
Vale destacar que aliados de Lula afirmam abertamente em Brasília que o desgaste político é desnecessário e que a compra deveria ocorrer em 2027, aproveitando uma possível vitória governista nas eleições, seja do próprio presidente ou de um indicado com rejeição mais baixa (algumas pesquisas indicam uma ‘rejeição proibitiva’ ao mandatário em determinados cenários).
(Matéria em atualização)







