
BRASÍLIA, 15 de outubro — O novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon — que assumiu o cargo há menos de um mês, substituindo o advogado Fabiano dos Santos, integrante do grupo Prerrogativas e conhecido como “churrasqueiro do Lula” — confirmou hoje que a estatal iniciou negociações com bancos públicos e privados, entre eles Banco do Brasil, Caixa Econômica, BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil, para obter um empréstimo de R$ 20 bilhões destinado a reforçar o caixa da companhia (R$ 10 bilhões para este ano e R$ 10 bilhões para o próximo ano).
O plano de socorro aos Correios — estatal que voltou a registrar prejuízo desde 2022 — inclui um novo programa de demissão voluntária (PDV), a renegociação de contratos, a procura por novas fontes de receita e a venda de imóveis.
Segundo os Correios, o plano deverá permitir que a estatal volte a registrar lucro, porém apenas em 2027.
De acordo com dados oficiais, os Correios registraram, no ano passado, um faturamento de R$ 18,9 bilhões, mas encerraram o período com um prejuízo de R$ 2,6 bilhões.

Apenas no primeiro semestre de 2025, a estatal acumulou um prejuízo de R$ 4,37 bilhões, triplicando o valor registrado no mesmo período do ano passado.
“Entre os principais motivos, destaca-se a retração significativa do segmento internacional, em razão de alterações regulatórias relevantes nas compras de produtos importados, que provocaram a queda do volume de postagens e o aumento da concorrência, resultando na redução das receitas vinculadas a esse segmento […] Para monitorar e coordenar essas ações, foi instituído o Comitê Executivo de Contingência, formado pelo corpo diretivo da empresa, com a atribuição de estabelecer diretrizes e supervisionar medidas voltadas a restabelecer o equilíbrio da liquidez imediata e implementar um programa abrangente de reequilíbrio econômico” -Correios
Ainda não há detalhes sobre possíveis cortes de despesas, que há tempos não acompanham o ritmo das receitas, nem sobre as estratégias dos Correios para incrementar seus ganhos.

Embora o último balanço de junho dos Correios indique um descompasso de R$ 5,6 bilhões entre ativos e despesas da estatal, o valor atual do rombo ainda não foi atualizado, sob o argumento de sigilo empresarial.
(Matéria em atualização)







