Departamento do Tesouro americano anuncia a inclusão da esposa de Moraes na lista de sancionados pela Lei Global Magnitsky

Senador Rodrigo Pacheco e ministro Alexandre de Moraes acompanhado de sua esposa Viviane Barci de Moraes | Imagem ilustrativa por Jonas Pereira/Agência Senado

BRASÍLIA, 22 de setembro — O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou há pouco a inclusão de Viviane Barci de Moraes (56), esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na lista oficial de sancionados pela Lei Global Magnitsky.

A publicação da decisão foi feita pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, responsável pela gestão e aplicação de programas de sanções, e posteriormente anunciada pela rede social oficial do Tesouro americano.

Viviane Barci de Moraes na lista oficial de sancionados

Juntos, Moraes e sua esposa Viviane são os primeiros brasileiros a serem sancionados pela lei criada no governo do ex-presidente Barack Obama, utilizada, geralmente de forma política, para punir indivíduos envolvidos em graves violações de direitos humanos e em corrupção em escala global.

Além de Viviane, o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, uma empresa paulista de advocacia vinculada ao casal, também foi incluído há pouco na lista de sancionados. Segundo a descrição oficial, a empresa atua no setor de serviços, com foco em treinamento e desenvolvimento profissional jurídico.

O instituto da família ganhou destaque neste ano ao adquirir, em março, um apartamento duplex de 365 m² em Campos do Jordão, São Paulo, pelo valor de R$ 4 milhões, e, recentemente, uma mansão em Brasília por R$ 12 milhões à vista (R$ 6 milhões de sinal e R$ 6 milhões na data da escritura).

Lex – Instituto de Estudos Jurídicos LTDA na lista oficial de sancionados

Vale ressaltar que qualquer empresa diretamente ligada aos dois sancionados, como o escritório de advocacia paulista Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandado por Viviane e não mencionado diretamente, também estaria sujeita — ou deveria estar, segundo a aplicação correta da Lei — às mesmas restrições.

“Hoje, o Tesouro está sancionando o Lex Instituto de Estudos Jurídicos LTDA por seu apoio ao ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro Alexandre de Moraes. Também foi designada hoje Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, que atua como diretora do Instituto Lex.”

A medida, na teoria — como é aplicada globalmente, inclusive em países considerados rivais dos Estados Unidos — impede a esposa do ministro de entrar no território americano, congela eventuais bens no país e proíbe a realização de transações financeiras em dólar com qualquer instituição bancária que opere nos Estados Unidos — o que, na prática, a impede até de obter um cartão de crédito ou manter conta em bancos que operem em dólar ou tenham presença direta ou indireta no país.

Se a Lei fosse aplicada no Brasil da mesma forma que é nos demais países, seria praticamente impossível entender como o ministro Moraes conseguiria manter uma conta bancária no país para receber seu salário. De acordo com a Lei Global Magnitsky, qualquer banco brasileiro com vínculos nos Estados Unidos que mantivesse relação com Moraes estaria sujeito a sanções secundárias — e é importante lembrar que eventuais decisões judiciais obrigando bancos ou operadoras de cartão de crédito a atenderem o ministro poderiam gerar um impasse de grandes proporções, com risco real de essas empresas deixarem de operar no Brasil.

No Brasil, nem a Caixa Econômica Federal, que emite cartões de crédito e débito de bandeiras americanas, realiza transferências internacionais em dólares e integra o sistema financeiro SWIFT, poderia, em teoria, operar sem cumprir as sanções impostas pelos Estados Unidos.

Vale destacar que até mesmo a bandeira de cartões nacional Elo, criada por Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Bradesco, utiliza o sistema SWIFT para liquidação de transações em dólares e opera em parceria com bandeiras americanas, como Discover e Diners, estando sujeita às sanções dos EUA previstas na Lei Global Magnitsky.

Até o momento, o ministro teve apenas um de seus cartões de crédito cancelados.

Alcance que antes não tinha escapatória: A ex-chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, que manteve estreita ligação com o regime chinês e foi sancionada pela lei americana por implementar a Lei de Segurança Nacional chinesa — responsável por prender líderes de manifestações e consolidar o controle da China sobre a região — passou a receber seu salário em “pilhas de dinheiro” vivo enquanto estava no cargo, mesmo com a China possuindo sistemas de pagamento próprios.

Para que Moraes e sua esposa Viviane sejam retirados da lista de sanções, seria necessária uma nova decisão presidencial — possivelmente de um futuro presidente — ou a comprovação de que não participaram das atividades ilegais que motivaram a sanção, que já responderam judicialmente por elas, ou que apresentaram mudanças comportamentais significativas (improvável pelo histórico e por questões políticas locais).


(Matéria em atualização)

Últimas Notícias

Mais lidas da semana

- PUBLICIDADE -spot_img

Matérias Relacionadas

O Apolo nas redes sociais

O Apolo Brasil no Instagram

O Apolo Brasil no Telegram

O Apolo Brasil no X

O Apolo Brasil no TikTok

O Apolo Brasil no Facebook

O Apolo Brasil no Threads

- NOVIDADE -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Leia mais

Aproveitando decisões favoráveis à J&F e Odebrecht, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, pede à Toffoli a suspensão de suas multas nos acordos com a Lava Jato; valor pode chegar a R$45 milhões

BRASÍLIA, 1 de fevereiro — Se baseando nas decisões proferidas pelo ministro Dias Toffoli que suspenderam os pagamentos de acordos de leniência do grupo J&F e da construtora Odebrecht (hoje chamada de Novonor) firmados com a Lava Jato, o ex-presidente da construtora OAS, o...