
JACARTA, 24 de junho — Familiares e integrantes da equipe de resgate confirmaram que Juliana Marins, a brasileira de 26 anos que aguardava socorro desde a última sexta-feira (20) após cair em uma área de difícil acesso durante uma trilha próxima à cratera do vulcão Monte Rinjani, na Ilha de Lombok — a cerca de 1.200 km da capital indonésia Jacarta —, foi localizada e alcançada hoje no local, já sem vida.
Em comunicado publicado na conta oficial da operação de resgate, a família de Juliana afirmou que “com imensa tristeza, informamos que ela não resistiu”, e agradeceu pelas orações, mensagens de carinho e demonstrações de apoio recebidas.
As últimas imagens da brasileira, capturadas por drones locais, mostravam-na sentada e se movimentando, aguardando o resgate após escorregar cerca de 600 metros em uma área de penhasco com várias rochas soltas, enquanto continuava a deslizar lentamente, afastando-se cada vez mais da trilha e avançando em direção a um desfiladeiro.
A confirmação da morte de Juliana veio algumas horas após o Ministério do Turismo da Indonésia afirmar em nota pública que ela estava em “estado terminal” e encerrou dias de angústia, desencontro de informações sobre se a brasileira teria recebido alimentos e água, e questionamentos sobre a falta de suporte e planejamento do governo local na tentativa de resgate.
Em sua última viagem, Juliana passou por Filipinas, Vietnã e Tailândia antes de desembarcar na Indonésia para subir a trilha do segundo vulcão mais alto do país, com 3.726 metros.
Oficialmente, o Parque Nacional do Monte Rinjani, onde a brasileira se acidentou e faleceu enquanto aguardava o resgate, registrou ao menos 180 acidentes e 10 mortes desde 2020, sendo que duas dessas mortes, incluindo a de Juliana, ocorreram somente neste ano.
Antes de Juliana, no início do mês passado, o malaio Rennie Bin Abdul Ghani, de 57 anos, morreu no local após cair de um penhasco de cerca de 80 metros.
O local, que até 2023 registrava uma média de 30 acidentes por ano, contabilizou 60 apenas em 2024 (ainda não há um balanço de 2025).
Em março deste ano, citando o descumprimento de normas de segurança como causa do aumento de acidentes — leves e graves —, geralmente relacionados à falta de equipamentos adequados, despreparo físico e desconhecimento do terreno, o governo indonésio emitiu um documento anunciando o início da elaboração de um Procedimento Operacional Padrão para buscas e resgates no parque.
Juliana era natural de Niterói, formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, já participou de um intercâmbio voluntário e social no Egito e também trabalhou em grandes empresas de comunicação como o Canal Off e o Multishow, ambos do Grupo Globo.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores transmitiu condolências aos familiares da jovem e disse que chegou a mobilizar “as autoridades locais, no mais alto nível, para a tarefa de resgate”.
Íntegra da nota do governo brasileiro: “O governo brasileiro comunica, com profundo pesar, a morte da turista brasileira Juliana Marins, que havia caído de um penhasco que circunda a trilha junto à cratera do Mount Rinjani (3.726 metros de altura), vulcão localizado a cerca de 1.200 km de Jacarta, na ilha de Lombok. Ao final de quatro dias de trabalho, dificultado pelas condições meteorológicas, de solo e de visibilidade adversas na região, equipes da Agência de Busca e Salvamento da Indonésia encontraram o corpo da turista brasileira. A embaixada do Brasil em Jacarta mobilizou as autoridades locais, no mais alto nível, para a tarefa de resgate e vinha acompanhando os trabalhos de busca desde a noite de sexta-feira, quando foi informada da queda no Mount Rinjani. O governo brasileiro transmite suas condolências aos familiares e amigos da turista brasileira pela imensa perda nesse trágico acidente.”
(Matéria em atualização)







