
PLATEAU, 27 de dezembro — Ao menos 20 comunidades no estado nigeriano de Plateau, principalmente nas regiões de Bokkos e Barkin-Ladi, foram atacadas nos últimos dois dias por grupos armados que deixaram mais de 160 mortos e cerca de 300 feridos; o país vive vários conflitos religiosos e políticos, com grupos terroristas islâmicos e milícias brigando constantemente com o governo pelo controle de regiões e seus recursos naturais.
Os últimos ataques são parte de um conflito local de décadas entre pastores (de gado) muçulmanos nômades, principalmente da etnia Fulani, e agricultores de diversas etnias e religiões – que nessa região são de maioria cristã – pelo uso da terra e dos recursos naturais (geralmente água).
De acordo com dados locais, ao menos 160 pessoas das comunidades cristãs foram mortas e mais de 300 ficaram feridas nos ataques que envolveram armas pesadas, pedras, pedaços de pau e fogo, e que começaram na véspera do Natal.
Os líderes das comunidades reportam que as agências de segurança do país demoraram mais de 12 horas para responder aos pedidos de ajuda.
Até o momento, nenhum grupo específico assumiu a autoria dos ataques realizados pelos pastores da etnia Fulani.
Vários vídeos estão circulando na internet com dezenas de imagens de corpos e pessoas feridas, incluindo crianças.




Outro problema que assombra a Nigéria desde 2009 é o grupo terrorista Boko Haram (Jamā’at Ahl as-Sunnah lid-Da’wah wa’l-Jihād), braço do Estado Islâmico, que já matou milhares de pessoas na região central do país.
Também são frequentes localmente os sequestros de centenas de crianças, geralmente meninas, que são devolvidas em troca de resgates em dinheiro (virou um modelo de negócio lucrativo do Boko Haram e das milícias locais).
Os ataques dos últimos dias foram o pior massacre do país desde 2018, quando mais de 200 pessoas foram assassinadas também na região central da Nigéria.
O governo local chamou os ataques de “terrorismo, sem motivo” e de “primitivos e cruéis”, e prometeu que punirá os responsáveis (promessas comuns da parte política da região que são repetidas depois de cada crise).
(Em atualização)