Lula diz, em coletiva durante visita a um complexo naval da Marinha, que plano do PCC para matar autoridades, incluindo o senador Sergio Moro e família, pode ser “mais uma armação do Moro”

Presidente Lula, durante coletiva realizada hoje no complexo naval de Itaguaí (RJ) | Imagem da estatal TV Brasil/EBC/Reprodução

RIO DE JANEIRO, 23 de março — O presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, durante coletiva após visita ao complexo naval de Itaguaí, litoral Sul do Rio de Janeiro, respondendo a um repórter local, disse – aos risos – que o plano revelado ontem pela Polícia Federal, que acabou com 9 presos da facção paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), que segundo a PF queriam assassinar e sequestrar autoridades brasileiras, pode ser “mais um plano do Moro”.

Lula visitava a base naval para conhecer o segundo submarino brasileiro Humaitá (S41) Riachuelo-class, dos quatro submarinos convencionais que o Brasil está produzindo com a França, e que está encerrando a fase de testes para ser incorporado à Defesa nacional.

Imagem por TV Brasil/EBC/Reprodução

“Eu não vou falar, porque … eu acho que é mais uma armação do Moro, mas eu quero ser cauteloso. Eu vou descobrir o que aconteceu. É visível que é uma armação do moro, mas eu vou pesquisar e vou saber o porquê da sentença. Até porque eu fiquei sabendo que a juíza não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele, mas isso, a gente vai esperar. Eu não vou ficar atacando ninguém sem ter provas. (Risos) Eu acho que é mais uma armação, e se for mais uma armação, ele vai ficar mais desmascarado ainda. Sabe, eu não sei o que ele vai fazer da vida se ele continuar mentindo do jeito que está mentindo. É isso.” –Presidente Lula, ao ser questionado há pouco sobre o plano da facção criminosa PCC de assassinar e sequestrar autoridades e servidores públicos

O presidente falava do caso revelado ontem pela Polícia Federal, que partiu de uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que foi repassada à Polícia Legislativa e ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e que motivou a operação de ontem que foi batizada de “Operação Sequaz”.

Segundo a PF, o grupo pretendia cometer crimes como homicídios e extorsão mediante sequestro em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Distrito Federal; os crimes seriam cometidos “simultaneamente”.

Segundo o ministro da Justiça Flávio Dino, indicado pelo próprio presidente Lula, 9 pessoas foram presas (todas em São Paulo); os outros dois mandados de prisão foram expedidos para o Paraná.

De acordo com as apurações das Forças policiais, foi observado que um olheiro da facção criminosa paulista estaria fazendo campana na frente da casa do senador, em Curitiba.

A Inteligência da Polícia Militar do Paraná fazia escolta do senador e de sua família há mais de um mês.

Como ministro da Justiça do ex-presidente Jair Bolsonaro, em fevereiro de 2019, Moro transferiu vários chefes do PCC, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, para o sistema penitenciário federal (mais rígido)*

Outros dois dos alvos da facção seriam o promotor de Lincoln Gakyia, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de Presidente Prudente (SP); partiu dele o pedido de transferência do líder da facção, Marcola, para um presídio federal (pedido feito oficialmente no fim de 2018), e o delegado da Polícia Federal, ex-coordenador-geral de repressão às drogas, armas e facções criminosas da PF, Elvis Secco.

De acordo com documentos obtidos com exclusividade pelo portal UOL, documentos apontam que a ordem para assassinar o delegado teria partido de uma liderança do PCC (Gilberto Aparecido dos Santos, braço direito do líder da facção, preso em 2020 em Moçambique sob ordem do Delegado) e envolveria o uso de duas caminhonetes clonadas da Polícia Federal.

Segundo o que se sabe até o momento sobre as investigações, o sequestro e a morte de Moro, familia, e de outros servidores públicos, teriam como objetivo a obtenção de dinheiro e negociação para o resgate de Marcola, que no início deste ano foi novamente transferido para Brasília, após uma investigação que começou no ano passado, e que revelou um plano de resgate do líder da facção no Presídio Federal de Porto Velho (RO).

O ex-juiz, ex-ministro e atual senador Sergio Moro ainda não comentou sobre a declaração do presidente brasileiro.


ATUALIZAÇÃO:

  • 15h07 – O senador Sergio Moro respondeu agora ao presidente Lula – ao vivo – na emissora local CNN Brasil: “Então quero perguntar ao senhor presidente da República: O senhor não tem decência? O senhor não tem vergonha com esse seu comportamento? O senhor não respeita a liturgia do cargo? O senhor não respeita o sofrimento de uma família inocente? O senhor não respeita o combate que os agentes da lei, e aqui eu me incluo, como ex-ministro da justiça e, antes, juiz, o combate que nós fizemos ao crime organizado”. O senador disse que espera uma retração pública a nível de Estado*

(em atualização)

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