PF faz buscas no gabinete do deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) em operação que investiga desvio de recursos de emendas parlamentares

Deputado Júnior Mano | Imagem ilustrativa por Mario Agra/Câmara dos Deputados

BRASÍLIA, 8 de julho — O gabinete e o apartamento funcional do deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) foram alvos, na manhã desta terça-feira (8), da Operação Underhand, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), que apura desvios de recursos públicos por meio de fraudes em processos licitatórios abastecidos por emendas parlamentares.

Além do parlamentar, outras cinco pessoas foram alvo de 15 mandados de busca e apreensão cumpridos nas cidades de Fortaleza, Nova Russas, Eusébio, Canindé e Baixio, no Ceará, e no Distrito Federal, todos autorizados pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda não há muitos detalhes sobre a investigação, que segue sob sigilo, mas, segundo a PF, a operação apura crimes de organização criminosa, captação ilícita de sufrágio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica para fins eleitorais, ligados ao direcionamento de verbas públicas provenientes de emendas parlamentares a municípios cearenses, com contrapartidas financeiras ilícitas, cujo dinheiro foi usado no financiamento clandestino de campanhas eleitorais no Ceará nas eleições municipais de 2024.

“o núcleo investigado é suspeito de articular o direcionamento de verbas públicas a determinados municípios cearenses mediante contrapartidas financeiras ilícitas, além de influenciar procedimentos licitatórios por meio de empresas vinculadas ao grupo” -Polícia Federal

Também por determinação da Justiça, foram bloqueados R$ 54,6 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas na operação.

Eleito pela primeira vez em 2018 e reeleito em 2022, ele chegou a ser declarado inelegível pelo Tribunal Regional Federal do Ceará por abuso de poder político nas eleições municipais de 2020. Embora tenha sido filiado ao PL até 2024, o parlamentar foi expulso do partido após apoiar a campanha do candidato petista Evandro Leitão à Prefeitura de Fortaleza, que concorreu com o candidato do próprio PL, André Fernandes.

O caso passou a envolver o deputado após ele ser citado em uma denúncia da prefeita de Canindé, Rozário Ximenes (Republicanos) ao MPCE (Ministério Público do Ceará), que apontou o aliado próximo e apadrinhado político de Júnior Mano, o prefeito de Choró, Bebeto Queirozatualmente foragido da Justiça — como líder de um esquema que teria envolvido ao menos 51 municípios do sertão cearence.

“A lavagem consiste em contatar o gestor, oferecendo como exemplo um milhão com retorno de quinze por cento para ele” -trecho da denúncia da prefeita de Canindé

51 foi o número de prefeituras que firmaram contratos que somaram R$ 318,9 milhões com a empresa MK Serviços em Construção e Transporte Escolar Ltda, que tinha um capital social de R$ 8,5 milhões e foi constituída por um vigia, Maurício Gomes Coelho, que recebia um salário de R$ 2,4 mil e que, segundo a PF, era laranja do prefeito foragido Bebeto Queiroz.

Ao ser alvo de uma operação em outubro do ano passado, Bebeto virou notícia ao ser flagrado por câmeras de segurança jogando o próprio celular em um espelho d’água de um edifício.

Imagem por Polícia Federal
Imagem por Polícia Federal

O aparelho, porém, não sofreu danos e revelou diálogos — entre mensagens e áudios — do prefeito, além de diversos comprovantes de transferências que, segundo a PF, comprovam que Bebeto era o verdadeiro proprietário de várias empresas (ao menos sete) controladas por laranjas.

Imagem por Polícia Federal

Vale ressaltar que no pedido de prisão do prefeito, a PF afirmou que Bebeto é associado à facção criminosa local GDE (Guardiões do Estado), que, segundo a Inteligência da Polícia Militar, “atuava não apenas no tráfico de drogas, mas também na intimidação de eleitores”.

Instagram pessoal do prefeito foragido Bebeto Queiroz

Júnior Mano tem 40 anos e é natural de Nova Russas, Ceará, onde foi vice-prefeito em 2016. A esposa dele, Giordanna Mano (PRD), é a atual prefeita da cidade.


Íntegra da nota divulgada pela defesa do parlamentar: “O deputado Júnior Mano não tem qualquer participação em processos licitatórios, ordenação de despesas ou fiscalização de contratos administrativos. Como parlamentar, o deputado não exerce qualquer função executiva ou administrativa em prefeituras, não participa de comissões de licitação, ordenação de despesas ou fiscalização de contratos administrativos. O parlamentar reafirma sua confiança nas instituições, em especial no Poder Judiciário e na Polícia Judiciária Federal, e reitera seu compromisso com a legalidade, a transparência e o exercício probo da função pública. Tem plena convicção de que, ao final da apuração, a verdade dos fatos prevalecerá, com o completo esclarecimento das circunstâncias e o reconhecimento de sua correção de conduta.”


(Matéria em atualização)

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