
BUENOS AIRES, 1 de julho — A ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que no último dia 10 de junho teve sua prisão domiciliar (em razão da idade) confirmada por decisão definitiva da Suprema Corte do país — por chefiar um esquema de desvio de recursos em contratos de obras públicas que causou um prejuízo de ao menos US$ 1 bilhão aos cofres nacionais durante o governo de Néstor Kirchner (2003–2007) e ao longo de seus próprios mandatos (2007–2015) — solicitou à Justiça argentina autorização para receber a visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o jornal argentino Clarín, a defesa de Kirchner formalizou hoje o pedido para que ela possa receber a visita do presidente Lula, que viajará amanhã à Argentina para participar da Cúpula do Mercosul.
Embora o encontro não esteja na agenda oficial de Lula, seus interlocutores já falam abertamente que o presidente apenas aguarda a autorização para visitá-la e prestar solidariedade em razão da condenação (por unanimidade), que aconteceu por um crime comum e foi confirmada em todas as instâncias com provas contundentes.
Seus interlocutores dizem que o presidente já prepara um discurso para justificar a visita e evitar a impressão de que está questionando a decisão da Suprema Corte — e das demais instâncias — da Argentina, postura que foi adotada por praticamente todos os políticos petistas, incluindo a ministra de Estado Gleisi Hoffmann.
Vale ressaltar que a agenda oficial de Lula também não prevê encontro com o presidente argentino Javier Milei, e que Cristina Kirchner jamais visitou Lula — ou qualquer um de seus vários aliados políticos — na prisão.
Lula deverá chegar a Buenos Aires no início da noite de amanhã e tem previsão de retorno ao término da Cúpula.
O presidente brasileiro já havia conversado por telefone com Cristina após sua condenação, ocasião em que manifestou apoio à ex-presidente Kirchner.
O caso concreto: O esquema de corrupção que levou à condenação de Cristina envolve o empresário Lázaro Báez, um dos réus, da região de Santa Cruz e dono de uma empreiteira, que frequentemente obtinha contratos para obras públicas no país — muitas delas superfaturadas e/ou não concluídas, embora consideradas “úteis” na sentença. Ao longo do período investigado, Báez venceu ao menos 51 licitações, algumas com ajuda direta de Cristina por meio de decretos que garantiam financiamento com menor fiscalização. Em 2015, após o fim do segundo mandato de Cristina Kirchner, a empresa simplesmente desapareceu.
Além de Kirchner e Lázaro (6 anos de prisão), também foram condenados: José López, ex-secretário de Obras Públicas, a 6 anos de prisão; Nelson Pieriotti, ex-chefe do Departamento de Obras Públicas, a 6 anos; Mauricio Collareda, a 4 anos; Raúl Daruich, a 3 anos e 6 meses; Raúl Pavesi, a 4 anos e 6 meses; Juan Carlos Villafañe, a 5 anos; e José Raúl Santibáñez, a 4 anos de prisão.
O processo, que teve duração de pouco mais de seis anos, também inabilita Kirchner politicamente de forma PERPÉTUA, o que a impedirá de disputar, no próximo mês de outubro a eleição legislativa para o cargo de deputada nacional pela província de Buenos Aires — onde tinha grande probabilidade de vitória, por ser uma região com muitos apoiadores. Caso eleita, Cristina estaria sob a proteção do foro privilegiado, recurso que sempre utilizou para evitar o andamento processos e prisões.
A Suprema Corte argentina ainda confirmou o bloqueio de bens dos réus no valor de 84 bilhões de pesos — o equivalente a R$ 395 milhões — que “retornará aos cofres públicos”.
(Matéria em atualização)







