Tribunais de Contas do Brasil gastam mais de R$ 1,4 milhão para financiar a participação de servidores em olimpíada com torneios que vão de dominó, truco, pebolim e dama a beach tennis e pesca

Imagem por REPRODUÇÃO/banner do site oficial da Associação Nacional Olímpica, Recreativa, Cultural e Social dos Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil (ANOSTC)

BRASÍLIA, 5 de setembro — De acordo com dados oficiais, nove Tribunais de Contas do Brasil gastaram ao menos R$ 1,4 milhão com hospedagens em hotéis de luxo, diárias, uniformes, inscrições, serviços de fisioterapia e até assessoria esportiva para que seus servidores e conselheiros participassem das Olimpíadas dos Tribunais de Contas 2025 (OTC Mercosul 2025), o evento esportivo da categoria que foi realizado entre 24 e 31 de agosto em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Chamado de “o grande momento do esporte” pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes na abertura do evento, as Olimpíadas dos Tribunais de Contas contaram com competições que variaram de atletismo, basquete, futsal, vôlei indoor, vôlei de praia, tênis de campo, tênis de mesa, natação, tiro esportivo e futevôlei, até beach tênis, bocha, boliche, corrida, pesca, pebolim, damas, dominó, pôquer, sinuca, truco e bozó (dados).

Segundo dados oficiais, apenas o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), que enviou a maior delegação às Olimpíadas, gastou R$ 625 mil com a inscrição, treinadores (R$ 59.787), fisioterapeutas (R$ 58.230) e uniformes (R$ 51.634) para os servidores.

Os servidores amazonenses tiveram custeados o jantar de abertura do evento em uma renomada churrascaria local, sete diárias com café da manhã no luxuoso Resort Grand Carimã — famoso por receber presidentes, políticos e celebridades — além do traslado para os eventos esportivos.

O Tribunal de Contas estadual do Tocantins (TCE-TO) gastou ao menos R$ 314,4 mil com o evento, sendo R$ 297 mil destinados à inscrição de 88 servidores da delegação e R$ 17,4 mil referentes a quatro diárias e meia do presidente Alberto Sevilha, do conselheiro Severiano José Costrandrade de Aguiar e de uma assessora especial.

O Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA) enviou uma delegação de 72 servidores, que ficaram hospedados no Dom Pedro I Palace Hotel, além de algumas autoridades que não competiram e se hospedaram no Mabu Thermas Grand Resort, localizado sobre águas termais, e gastou oficialmente R$ 230,6 mil com o evento.

O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) levou uma delegação de 78 servidores e gastou, oficialmente, R$ 156 mil apenas com a participação deles, sem custear hospedagem.

O Tribunal de Contas estadual de Pernambuco (TCE-PE) enviou uma delegação de 17 servidores, que custearam suas próprias inscrições, passagens e hospedagem. Apesar disso, o envio de servidores gerou um gasto de R$ 16.762,00 em diárias para estes participarem de um seminário sobre controle externo e fiscalização realizado na abertura do evento esportivo.

Os Tribunais de Contas do Mato Grosso (TCE-MT) e de Alagoas (TCE-AL) registraram oficialmente, em junho, gastos de pouco mais de R$ 8,3 mil e R$ 4,2 mil, respectivamente, para enviar dois servidores e um servidor a Foz do Iguaçu, com o objetivo de colaborar na preparação do evento esportivo.

O próprio Tribunal de Contas da União (TCU), que em nota afirmou não ter arcado com os custos de seus 72 servidores participantes do evento, gastou cerca de R$ 9,5 mil em junho, assim como o TCE-MT, para enviar duas servidoras a Foz do Iguaçu e organizarem os últimos detalhes do evento. Vale ressaltar que o TCU não comentou se o ministro Augusto Nardes, que discursou na abertura das Olimpíadas, gerou algum gasto.

Enviaram delegação única o Ministério Público de Contas do Estado do Pará (MPC-PA) e o Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE-PA). Segundo dados oficiais, o MPC gastou mais de R$ 38 mil apenas para inscrever 10 servidores no evento. O TCE-PA, por sua vez, não respondeu ao questionamento feito pelo portal Metrópoles, assinado pelo jornalista Tássio Lorran (não retornaram o contato os Tribunais de Contas estaduais da Bahia, do Maranhão, do Mato Grosso do Sul, do Rio Grande do Norte e de Sergipe).

Tal como o TCU, a maioria dos tribunais dispensou seus servidores de registrar ponto ou de compensar horas não cumpridas, autorizou o trabalho remoto ou, como fez o Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), concedeu afastamento remunerado.

Não enviaram representantes nas Olimpíadas deste ano os tribunais de Contas dos ESTADOS do Amapá (TCE-AP), do Ceará (TCE-CE), do Espírito Santo (TCE-ES), de São Paulo (TCE-SP) e de Roraima (TCE-RR), além dos tribunais de Contas dos MUNICÍPIOS da Bahia (TCM-BA) e do Rio de Janeiro (TCM-RJ).

A OTC Mercosul 2025 foi organizada pela Associação Nacional Olímpica dos Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil (ANOSTC).


(Matéria em atualização)

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