Leia a íntegra do relatório produzido pela PF com as mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes

Ministro Alexandre de Moraes | Imagem por Marcelo Camargo/Agência Brasil

BRASÍLIA, 1 de setembro — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou há pouco o sigilo do relatório produzido pela Polícia Federal (PF), que reúne inúmeras mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido no escândalo do Banco Master.

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O material reúne uma série de contatos envolvendo o ministro, sua esposa, advogados ligados a Daniel Vorcaro e até mesmo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que chegou a realizar uma videochamada com o bancário, em clima descontraído e usando óculos escuros, além de enviar uma mensagem, por meio do ex-advogado do Banco Master, Ciro Soares, afirmando que estava com saudades de Vorcaro.

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Em trecho divulgado mais cedo pelo jornal O Estado de S. Paulo, há também uma mensagem que, segundo a própria Polícia Federal (PF), foi enviada pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, na qual questiona se deveria deixar o país, em uma troca de mensagens ocorrida APENAS UM DIA ANTES de a PF cumprir um mandado para prender Vorcaro.

Imagem por DIVULGAÇÃO/O Estado de S. Paulo

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu o banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes em 15 de novembro de 2025. Na sequência, Vorcaro fez outras três perguntas: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o [Gabriel] Galípolo (atual presidente do Banco Central) tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”. No dia seguinte, apenas um dia antes de a Polícia Federal cumprir o mandado de prisão contra o banqueiro, Vorcaro questionou o ministro: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

Em outra mensagem que vem ganhando destaque na mídia, Vorcaro se declara, em novembro de 2025, diretamente a Alexandre de Moraes e afirma ter “gratidão da minha vida a você” ao ministro. Na sequência, escreveu: “Toda minha familia, funcionarios, parceiros amigos que dependem de nós tem uma dívida de vida contigo e com sua familia. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser”.

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Outro ponto que já vem ganhando repercussão na mídia é a identificação, pela PF, por meio dos metadados do arquivo, de que o ministro Alexandre de Moraes editou pessoalmente o contrato (arquivo MINUTA DE CONTRATO) de R$ 131 milhões firmado entre o polêmico Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em nota pública, o escritório da esposa do ministro afirma que solicitou a Moraes, “na condição de marido da sócia diretora do referido escritório”, uma revisão para identificar alguma eventual existência de impedimentos legais para a contratação, o que o escritório diz que não foi verificado e, por isso, o contrato foi assinado.

Imagem por REPRODUÇÃO/O Estado de S. Paulo

“Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao BARCI DE MORAES, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente. Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados” —Escritório Barci de Moraes

Ainda é cedo para dimensionar a repercussão dos dados que vêm sendo destrinchados no relatório após a retirada do sigilo.

Em Brasília, já circula a história — inicialmente divulgada pelo portal Metrópoles — de que os dois ministros quase chegaram às vias de fato após Alexandre de Moraes visitar o gabinete de André Mendonça para questioná-lo sobre um pedido feito à PF para que confirmasse a identidade do interlocutor de diversas conversas de Daniel Vorcaro, algumas delas citando diretamente o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A PF confirmou que o interlocutor era o próprio ministro Moraes. Questionado por Mendonça sobre como havia tomado conhecimento do conteúdo do relatório, Moraes, em um clima de forte tensão, teria respondido: “tenho minhas fontes”, em referência ao fato de já ter ocupado o cargo de ministro da Justiça, responsável pela pasta à qual a PF é subordinada.

Até o momento, nenhum outro ministro do Supremo se dispôs a manifestar sua posição sobre o assunto, nem mesmo sob a condição de anonimato.


(Matéria em atualização)

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