197 pessoas isoladas após morte por Peste Pneumônica: Funcionária de laboratório de doenças infecciosas morre na Rússia após se infectar ao quebrar tubo de ensaio

Imagem ilustrativa por Rocky Mountain Laboratories, NIAID, NIH/rede social da paciente/PD

SIBÉRIA, 3 de outubro — Uma mulher de 28 anos, funcionária de um laboratório especializado em doenças infecciosas (nível de biossegurança 3) na região sul da Sibéria, na Rússia, identificada como Darya Shipilova, morreu em um hospital local após contrair Peste Pneumônica, dias depois de quebrar acidentalmente um tubo de ensaio contendo a bactéria Yersinia pestis, a mesma bactéria responsável pela peste bubônica, mas que, no caso da peste pneumônica, infecta os pulmões e pode ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de gotículas respiratórias.

Ao menos 197 pessoas foram isoladas (sem sintomas) após terem tido contato com ela, que foi internada somente quatro dias após a exposição e permaneceu intubada durante os dois dias em que esteve hospitalizada, até morrer na última madrugada (infectada no dia 25 de setembro).

De acordo com o noticiário local, das 197 pessoas isoladas por terem entrado em contato com a falecida, 177 foram hospitalizadas em dois hospitais da região, enquanto outras 12 foram encaminhadas a um “instituto antipeste”.

O regime russo ainda não se pronunciou sobre a questão, que, oficialmente, foi confirmada apenas pelo governador regional, que inicialmente se recusou a informar o nome da doença, mas posteriormente confirmou a um jornal tratar-se de “Peste”. O epidemiologista oficial do Kremlin, Mikhal Favorov, acusado pela população local de “acobertar o problema”, não confirmou a causa da morte e disse que a história do tubo de ensaio quebrado, relatada pela própria funcionária do laboratório durante sua internação, “é hilária”. Segundo ele, todos os funcionários do laboratório utilizam uniformes protetivos profissionais e não há qualquer risco para a população.

A Peste Pneumônica, apesar de rara e considerada pela OMS a forma “mais virulenta da Peste” (com período de incubação que pode ser de apenas 24 horas), é uma forma conhecida da doença e tratável com antibióticos e, quando identificada precocemente e tratada ainda nos estágios iniciais, apresenta altas taxas de recuperação (mais de 83%).

Os sintomas da Peste Pneumônica incluem falta de ar, febre, calafrios, dor de cabeça, fraqueza, tosse, dor no peito e, em alguns casos, expectoração com sangue.

A bactéria Yersinia pestis não está presente apenas em laboratórios e pode ser encontrada naturalmente em pequenos mamíferos e pulgas, com casos humanos registrados nos últimos anos principalmente na África e na Ásia.

Com relação apenas às informações (ainda não são situações comparáveis), assim como aconteceu na China no início da pandemia — quando começamos a reportar a situação, o regime chinês ainda falava em apenas 17 mortes —, não são esperadas muitas informações oficiais sobre a questão. Toda a região está recebendo antibióticos e, até o momento, mesmo com informações extraoficiais, não foram registrados novos casos de internação por sintomas.

O assunto está sendo abordado de forma duríssima por entidades que trabalham pelo fim de laboratórios de armas biológicas, embora o laboratório em questão não fosse (no passado) alvo de acusações desse tipo.


(Matéria em atualização)

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