Provável próxima primeira-ministra italiana se posiciona publicamente sobre a guerra na Ucrânia; ‘Europa corre risco de se ver sob a influência chinesa, então temos que lutar essa batalha’

Próxima primeira-ministra italiana Giorgia Meloni | Imagem por VOX España/CPAC 2022 con Hermann Tertsch y Victor Gonzalez

ROMA, 4 de setembro — A conservadora Giorgia Meloni, que lidera o partido “Irmãos da Itália” e que deve liderar o novo governo italiano, falou publicamente neste domingo sobre o risco representado para as nações ocidentais com invasão da Ucrânia pela Rússia, chamando-a de “ponta do iceberg em uma luta por influência”; ela nunca havia se posicionado, porém já fez vários comentários breves pró-ocidente/Ucrânia e favorável ao envio de armas.

Meloni lidera o maior partido em uma aliança (coalizão) de centro-direita com o Partido “Liga”, de Matteo Salvini, que antes liderava a direita italiana e que perdeu o apoio após virar base de sustenção do último governo liderado pelo burocrata Mario Draghi (ele foi muito criticado pela questão das restrições sanitárias), e o “Forza Italia”, de Silvio Berlusconi, que juntos estão a caminho de uma grande vitória nas eleições italianas que acontecerão em 25 de setembro.

Hoje, durante uma famosa conferência organizada por uma empresa de consultoria (“Ambrosetti Forum”), em Cernobbio, Itália, a próxima primeira-ministra italiana se posicionou pela primeira vez sobre a guerra na Ucrânia, deixando claro que a Itália continuará apoiando o lado ocidental.

Ela será a primeira mulher a ocupar o cargo.

“Se a Ucrânia cair e o Ocidente perecer, o grande vencedor não será a Rússia de Putin, mas a China de Xi Jinping, e aqueles que são mais fracos no Ocidente, principalmente na Europa, correm o risco de se ver sob influência chinesa. Então temos que lutar esta batalha […] A guerra na Ucrânia é a ponta do iceberg de um conflito que irá reformular a ordem mundial” –Giorgia Meloni, próxima primeira-ministra italiana

Os outros dois partidos que estão nessa coalizão, a “Liga” e o “Forza Italia”, sempre tiveram ligações fortes com a Rússia (provavelmente veremos conflitos nessa questão).

A dependência europeia do mercado energético russo foi criada com muitos anos de influência russa com políticos de todos os espectros (desde Merkel até o próprio Salvini).

O ex-chanceler alemão Gerhard Schröder até hoje senta em uma mesa diretora de uma empresa estatal russa de gás e petróleo “Rosfnet” (recebe quase 1 milhão de dólares americanos por ano / ele disse que sairia do posto em maio deste ano, mas nada foi formalizado).

Matteo Salvini, líder do partido “Liga” que também será parte da coalizão que comandará o governo italiano, e que sempre fez campanha contra sanções que miravam a Rússia (nas outras invasões), também comentou o assunto no mesmo fórum, e mostrou que aparentemente seguirá o caminho de usar o discurso de proteger o trabalhador -discurso que ele esqueceu durante as restrições sanitárias- para conter sanções.

Vamos continuar punindo o agressor, mas vamos proteger nossos negócios e nossos trabalhadores, porque ganhar a eleição e herdar um país de joelhos não seria muito satisfatório” –Matteo Salvini durante o discurso de hoje no Ambrosetti Forum

Assim que a guerra na Ucrânia começou, em 24 de fevereiro, ele apagou (ou restringiu) de seu Facebook pessoal todas as fotos em que fazia homenagens ao presidente russo Vladimir Putin.

Obuseiros FH-70 155mm modernizados italianos que foram enviados para a Ucrânia

Não são esperadas mudanças na postura italiana, apesar da composição da coalizão que irá liderar o país após as eleições de 25 de setembro.

Ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss | Imagem por Simon Dawson

O mesmo caminho deverá ser adotado pelo Reino Unido com a próxima primeira-ministra britânica, que provavelmente será a atual ministra das Relações Exteriores do país, Liz Truss (anúncio acontecerá nesta semana), que além de sempre tentar imitar (fisicamente) a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, adota uma postura até mais dura que a do primeiro-ministro interino Boris Johnson.


(em atualização)

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