
RORAIMA, 21 de agosto — Mesmo após a criação do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a nomeação da ministra e líder indígena Sônia Guajajara (PSOL-SP) para comandar a pasta, novos dados oficiais do Ministério da Saúde, enviados ao Congresso (Subcomissão Temporária do Senado), mostram que, entre 2023 e 2025, durante o terceiro mandato do presidente Lula, 1.138 indígenas morreram em terras Yanomami, número superior aos 951 óbitos registrados no mesmo período durante o governo Bolsonaro, quando a situação dos Yanomami foi alvo de inúmeros protestos e campanhas, inclusive com a participação de artistas que cobravam medidas para proteger a população indígena.
De acordo com os dados sobre mortes de indígenas em território Yanomami, foram registradas 435 mortes em 2023 (recorde da série histórica), 347 em 2024 e 356 em 2025. Entre as principais causas estão as doenças respiratórias agudas, a desnutrição, responsável por 104 mortes, e a malária, com 47, além de fatores como o avanço do garimpo, do crime organizado e da atuação de madeireiras.
Ainda segundo os dados, que levaram o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a se reunir quase de forma emergencial com a senadora Damares Alves (REPUBLICANOS-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, para planejar uma missão de monitoramento da crise na região, problemas históricos do território Yanomami continuam sem solução, apesar de terem sido amplamente debatidos durante a transição entre os dois governos e de terem recebido promessas de reforço com a criação de cargos e a destinação de recursos específicos. Entre eles estão os confrontos armados, a circulação de armas de fogo, a forte presença do garimpo e a dependência do transporte aéreo, ainda condicionada às condições climáticas, o que há anos dificulta o acesso de equipes às comunidades locais.
(Matéria em atualização)






