Moraes apresenta defesa que será utilizada hoje, diz que mensagens com Vorcaro não existem, afirma ser vítima de “VINGANÇA” e que movimento contra ele é continuação de um “Golpe”

Ministro Alexandre de Moraes | Imagem por Pedro França/Agência Senado

BRASÍLIA, 15 de setembro — O ministro Alexandre de Moraes, em uma defesa de 44 páginas e 121 tópicos (ofício GMAM 13/2026) apresentada nesta madrugada para ser usada na sessão de hoje (15) que discutirá se ele será ou não investigado por sua relação com Daniel Vorcaro, afirmou que não houve “diálogo” entre ele e o banqueiro dono do Banco Master, que as mensagens reveladas pela Polícia Federal (PF), encontradas no celular de Vorcaro, não existem, que o documento oficial baseado nos dados extraídos do aparelho é uma “farsa” e que o magistrado, tratado no documento tanto em primeira quanto em terceira pessoa, é vítima de uma “VINGANÇA”, enquanto o movimento seria uma continuação de um “Golpe” que teria sido tentado em janeiro de 2023.

“O MAIS GRAVE. As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPÓSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM. NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõem a existência de dois interlocutores, pois não há UMA ÚNICA MENSAGEM OU BLOCO DE NOTAS COM O TEXTO DE MENSAGENS DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES. Das 52 notas apresentadas (extraídas do bloco de NOTAS de Daniel Vorcaro), 47 não foram nem localizadas na área de conversação do whatzap. REPITO: NÃO FORAM LOCALIZADAS EM CONVERSAÇÃO ALGUMA NO WHATZAAP. NÃO EXISTE NENHUMA CORRESPONDÊNCIA EFETIVA COM MENSAGEM REALMENTE ACHADAS NO WHATZAP. Algo bizarro. Não existe a mera comprovação de que efetivamente foram enviadas mensagens. Vejam: 90,4% do conjunto é inferência. Mas a divulgação preferiu ignorar a VERDADE. Das 52 notas apresentadas, 47 não foram localizadas em nenhuma conversa. Noventa por cento das comunicações que ela atribui a um destinatário determinado nunca foram encontradas em conversa” -Trecho da defesa

Vale ressaltar que, segundo a PF, o ministro respondia por meio de capturas de tela de mensagens escritas no bloco de notas, enviadas como imagens de visualização única. Assim, a única forma de recuperar o conteúdo dessas respostas seria por meio da apreensão dos aparelhos utilizados para produzi-las, cuja posse atual pelo magistrado não é conhecida. Isso porque Moraes chegou a trocar de número, conforme já foi divulgado publicamente por veículos de mídia. Também vale destacar que o ministro não poderá alegar que o banqueiro falava sozinho nas mensagens, já que há registros de respostas apagadas atribuídas ao ministro e até de reações com emojis de joia feitas pelo magistrado em mensagens de Vorcaro.

Em sua defesa, Moraes também diz que jamais julgou qualquer processo envolvendo o Banco Master ou Daniel Vorcaro, seja antes ou depois de o escritório de sua esposa firmar um contrato advocatício de R$ 131 milhões com o banqueiro. Segundo o relatório da PF, o contrato foi modificado pela última vez antes de ser enviado a Vorcaro pelo próprio ministro, modificação que, segundo sua esposa, foi feita “na condição de marido”. Moraes também diz que não há razão para desconfiar que ele tenha vazado informações sobre a operação que prendeu Vorcaro em um aeroporto um dia antes de o banqueiro perguntar ao ministro se deveria deixar o Brasil, já “que a prisão foi normalmente realizada, inclusive com a apreensão do instrumento mais importante para a investigação –o celular do investigado”. Por fim, relaciona o pedido de investigação e a produção do relatório contra ele, que, segundo afirma, foi feito “com auxílio de órgão externo”, a uma motivação política.

É imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o Juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um Golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito” -Treco da defesa

CLIQUE AQUI PARA LER A ÍNTEGRA DO RELATÓRIO DA POLÍCIA FEDERAL>

A sessão que definirá se Moraes será investigado está marcada para hoje, às 10h da manhã, com transmissão ao vivo e presença de mais de uma dúzia de ex-ministros da Corte.

É esperado que a ala aliada a Moraes, formada pelos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Toffoli, peça o adiamento da sessão, peça vista do processo, o que colocaria uma pausa de até 90 dias em um pedido que fala apenas em investigação, e não em condenação, e até mesmo peça que o julgamento deixe de ser transmitido.

O que se espera em Brasília: Mesmo com um pedido de vista, muito provavelmente feito pelo ministro Flávio Dino, a expectativa em Brasília é que a ala favorável à investigação, formada pelos ministros André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin e Cármen Lúcia, antecipe seus votos para formar uma maioria de 5 votos a 3, já que Moraes e Toffoli não teriam condições de deixar de se declarar impedidos de votar.

Mesmo com a maioria formada, o julgamento sobre o simples pedido de investigação do ministro Moraes poderá ficar parado por até 90 dias sem que uma decisão seja formalizada. Após esse prazo, qualquer ministro poderá inclusive mudar seu voto.

No campo político, ao menos por enquanto, há um movimento de abandono do ministro Moraes pela classe política, que até mesmo entre governistas, vê o ministro como uma âncora eleitoral que vem causando enorme prejuízo segundo pesquisas públicas e internas.


(Matéria em atualização)

Últimas Notícias

Mais lidas da semana

- PUBLICIDADE -spot_img

Matérias Relacionadas

O Apolo nas redes sociais

O Apolo Brasil no Instagram

O Apolo Brasil no Telegram

O Apolo Brasil no X

O Apolo Brasil no TikTok

O Apolo Brasil no Facebook

O Apolo Brasil no Threads

- NOVIDADE -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Leia mais

Ministério da Educação confirma que gastou mais de R$ 25 mil para dar pares de meias a Parlamentares em uma ação de marketing interno que celebrava o primeiro pagamento do “Pé-de-Meia”

BRASÍLIA, 10 de maio — O Ministério da Educação (MEC) confirmou, em resposta a um questionamento enviado pelo deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) em maio deste ano, que adquiriu, por determinação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (SECOM), 600 pares de meias...