Alckmin confirma novo imposto para compras internacionais até US$50; governo estuda alíquota de 28%, que deverá ser somada aos 17% de ICMS

Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin | Imagem por José Cruz/Agência Brasil (EBC)

BRASÍLIA, 28 de novembro — O vice-presidente e atual presidente em exercício Geraldo Alckmin, que também ocupa o posto de ministro do Desenvolvimento, da Indústria, Comércio e Serviços, defendeu nesta terça-feira (28) a já discutida taxação de compras internacionais até US$50 que deverá ter início no próximo ano e tem o objetivo de ajudar o governo a alcançar a cifra de R$168 bilhões necessária para atingir a meta de zerar o déficit das contas públicas em 2024 (arcabouço fiscal); o tema já foi abertamente discutido por membros do ministério da Fazenda e deverá gerar um grande impacto no bolso de quem compra em nos famosos sites chineses que são extremamente populares no Brasil.

Alckmin comentou sobre o assunto em uma reunião de instalação do Fórum Mdic de Comércio e Serviço (FMCS) que foi realizada em Brasília com a participação de empresas do setor do comércio e serviços, justamente o lobby que mais pressiona o Governo Federal a taxar gigantes estrangeiras (na maioria chinesas) como Shopee, Shein e AliExpress.

“Pretendemos periodicamente estar ouvindo o setor de comércio e serviços. Comércio eletrônico foi feito trabalho nas plataformas digitais para formalização dos importados, já começou a tributação do ICMS e o próximo passo é imposto de importação, mesmo para os [produtos importados] com menos de US$50-Geraldo Alckmin, presidente em exercício

Durante o discurso, Geraldo Alckmin não entrou em detalhes e não disse de quanto seria a alíquota do novo imposto que será somado ao ICMS estadual.

Em setembro deste ano, membros do ministério da Fazenda, incluindo o braço direito do ministro Haddad, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda Dario Durigan, comentaram sobre a nova cobrança. Na época, Durigan disse que o governo estava pensando em uma alíquota de no mínimo 20% para produtos importados abaixo de US$50 (17% de ICMS + ~20%).

Na nota técnica da Receita Federal que foi utilizada como referência na elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2024, o governo utilizou uma alíquota (ainda não oficializada) de 28% (projeção).

“Estamos considerando uma alíquota mínima em torno de 20%, mas essa definição ainda não foi feita pelo governo. Será para o futuro, estamos, sim, discutindo um piso de uma alíquota federal. As empresas de e-commerce afirmam que isso garantiria isonomia com as empresas brasileiras.” -Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda

Com base nessa alíquota (caso ela seja escolhida oficialmente), o governo espera arrecadar ao menos R$2,8 bilhões em novas receitas.

Segundo a Fazenda, a tributação deverá aumentar a “competitividade” com o varejo nacional e “equalizar” o sistema tributário.


Desde o inicio de agosto, as plataformas de comércio eletrônico internacionais precisam encaminhar vários documentos à Receita Federal para obter a certificação e aderir ao programa Remessa Conforme, que na teoria serve para garantir despacho rápido (e cobrar as taxas no momento da compra sem o prejuízo político de passar a taxar as encomendas que chegam ao Brasil, ponto que gerou uma grande polêmica no meio deste ano e que envolveu até a primeira-dama Janja Silva).

A adesão ao programa, em teoria, é voluntária, e quem ficar de fora terá seus envios parados pela Receita, as empresas sofrerão restrições quanto a sua atuação (inviável), e serão aplicadas taxas nos mesmos valores aplicados hoje.

No novo programa, produtos com valores superiores a US$ 50 são taxados em cerca de 92% (somando todos os encargos, incluindo 60% do imposto federal).


(Em atualização)

Últimas Notícias

Mais lidas da semana

- PUBLICIDADE -spot_img

Matérias Relacionadas

O Apolo nas redes sociais

O Apolo Brasil no Instagram

O Apolo Brasil no Telegram

O Apolo Brasil no X

O Apolo Brasil no TikTok

O Apolo Brasil no Facebook

O Apolo Brasil no Threads

- NOVIDADE -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Leia mais

Alegando desvantagem dos Correios, governo monta grupo de trabalho para propor regulamentação dos serviços privados de entrega

BRASÍLIA, 11 de março — O polêmico ministro das Comunicações Juscelino Filho, que por diversas vezes já esteve com os dias contados para ser trocado por conta de escândalos (voo da FAB para participar de leilões de cavalos) e investigações da Polícia Federal (o...