Em entrevista, Lula defende ‘educar’ a população para comprar produtos mais baratos ou similares e pede regulação das redes para conter conteúdos que ‘bagunçam a economia’

Presidente Lula durante a entrevista | Imagem por YouTube/@lula

BRASÍLIA, 6 de fevereiro — Em entrevista às rádios baianas Metrópole e Sociedade, o presidente Lula voltou a comentar, há pouco, sobre os preços dos alimentos nos mercados, afirmando que será necessário “fazer” um “processo educacional com o povo brasileiro” para que a população passe a comprar produtos mais baratos ou similares quando o preço de algo de seu interesse estiver muito alto, e também defendeu, citando China, Rússia e Venezuela como exemplos, a regulação das redes sociais, chamadas por ele de “imprensa digital”, por meio do Congresso ou, caso este não queira, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de controlar conteúdos que “bagunçam a economia”.

Em sua fala, Lula também insinuou que o aumento nos preços dos produtos no mercado seria consequência do crescimento da massa salarial e dos salários, uma afirmação sem respaldo na realidade, que ele emendou minutos depois ao citar o preço do dólar e o aumento das exportações como ‘causas’ da inflação.

“Uma das coisas mais importantes para que a gente possa controlar o preço é o próprio povo. Se você vai no supermercado e você desconfia que tal produto está caro, você não compra. Se todo mundo tiver a consciência e não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar para vender, porque, senão, vai estragar […] Esse é um processo educacional que nós vamos ter que fazer com o povo brasileiro. É necessário que a gente faça isso. O povo não pode ser extorquido. A pessoa sabe que a massa salarial cresceu, que o salário aumentou, aí aumenta o preço. Não! É preciso ter responsabilidade!-Lula

Segundo Lula, a atual cotação do dólar, citada como uma das ‘causas’ da inflação, é responsabilidade do Banco Central e da gestão do seu ex-presidente Roberto Campos Neto.

Tivemos um aumento do dólar porque tivemos um Banco Central totalmente irresponsável, que deixou uma ‘arapuca’ que a gente não pode desmontar de uma hora para outra” -Lula

Como segunda medida que o governo deve adotar para conter os preços, Lula citou a “regulação” — e não regulamentação — das redes sociais, que ele chamou de “imprensa digital”, a qual, segundo o presidente, é usada para “provocar, xingar, incentivar a morte” sem punição, além de servir para a divulgação de conteúdos que “bagunçam a economia”.

“Nós precisamos regular a chamada imprensa digital [‘isso!’ disseram os entrevistadores]. No digital não tem lei, os caras acham que podem fazer o que quiser, não tem nada para punir. Não é possível que um cidadão ache que pode interferir na cultura da China, do Brasil, da Rússia, da Venezuela, da Argentina. Nosso congresso tem responsabilidade e vai ter que colocar isso pra regular. Se não for o caso, a Suprema Corte vai ter que regular, porque é preciso moralizar. Todo mundo tem direito à liberdade de expressão. MAS liberdade de expressão não é as pessoas utilizarem esse meio de comunicação para canalhice, para fazer provocação, para mentir, todo santo dia. Então não é possível porque isso bagunça a economia, isso bagunça o varejo, isso bagunça o mercado como um todo.” -Lula

Íntegra da entrevista

Espera-se que o governo entregue nos próximos dias ao Congresso um projeto de regulação das redes sociais, que, segundo o ministro Rui Costa, é uma das prioridades da gestão em 2025.

Como o projeto original de regulamentação das redes ficou parado na Câmara devido à falta de votos e não se espera que Lula se envolva em um confronto com empresas americanas de redes sociais, sob o risco real de sanções e tarifas que gerariam uma pressão interna insustentável no atual contexto brasileiro, o governo tentará apoiar projetos como os dos deputados Silas Câmara (Republicanos-AM), líder da bancada evangélica, e Dani Cunha (União-RJ), filha de Eduardo Cunha, que preveem a proibição do anonimato nas redes sociais, com a provável exigência de um documento no registro das plataformas.


(Matéria em atualização)

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